No âmbito do projeto Qualify.teca II, a Associação Empresarial de Cambra e Arouca (AECA) promoveu, a 10 de julho, a masterclass “A Inteligência Artificial enquanto Ferramenta de Produtividade”.
Da associação empresarial à autarquia e à própria indústria, um mesmo aviso atravessou todas as intervenções: a Inteligência Artificial só traz vantagem a quem a usa de forma deliberada, o risco maior não está na tecnologia, mas em ficar parado.
O programa dividiu-se em dois momentos. De manhã, na Biblioteca Municipal de Vale de Cambra, decorreu uma sessão teórico-prática a cargo de Jorge Mota, professor do ISTEC e investigador, coordenador da Unidade de Inovação e Empreendedorismo Tecnológico do Cesae Digital. A intervenção abordou a implementação prática da Inteligência Artificial na Indústria 4.0 e 5.0 enquanto veículo de produtividade e de valorização de produtos e serviços, o impacto da IA na cadeia de valor industrial – produção, logística, qualidade e manutenção – e as tendências tecnológicas com maior impacto no setor agroalimentar e no processamento industrial. A sessão incluiu ainda uma componente prática, com simulação de casos de aplicação da Inteligência Artificial, seguida de debate antes do encerramento.
À tarde, o grupo deslocou-se às instalações da TECNOCON®, onde o CEO António Moreira, acompanhado por Vítor Vilar e Humberto Bastos, apresentou um caso concreto de implementação industrial da tecnologia.
“O problema não é a IA. O problema é estarmos parados”
O presidente da AECA, Carlos Brandão, resumiu o objetivo da masterclass: “Queremos mostrar a evolução que está a acontecer e ajudar as empresas a perceberem que as novas tecnologias, a Inteligência Artificial, a Indústria 5.0 e a qualificação das pessoas têm de caminhar em conjunto”. Sublinhou ainda que ganhos de eficiência raramente resultam apenas da compra de robótica ou de linhas automatizadas, exigindo antes ajustes específicos nos processos internos e a valorização do conhecimento das pessoas, fator que considerou determinante para a eficiência das organizações. Neste quadro, apontou a Inteligência Artificial como uma das principais alavancas de apoio à decisão e ao trabalho quotidiano das empresas.
“Antes da inteligência artificial, primeiro somos inteligentes nós”
A Associação Empresarial do Concelho de Oliveira de Azeméis (AECOA), parceira da AECA no Qualify.teca II, esteve representada por António Pinto Moreira, diretor executivo, que enquadrou a iniciativa no projeto.
“Para ter projetos robustos temos de ter escala e, portanto, a escala vamos buscá-la procurando sinergias onde tudo for possível”, afirmou, referindo o trabalho conjunto entre a AECOA, a AEA, AECA e os municípios da região. António Pinto Moreira associou este esforço à ambição de posicionar o território como referência nacional na cadeia de valor da indústria alimentar, através de um cluster regional que reúna fabrico de máquinas, reservatórios e equipamentos, engenharia, desenvolvimento de software e produção de ingredientes.
Na sua intervenção, defendeu que a capacidade de decisão interna das organizações deve anteceder a própria adoção tecnológica: “Temos que ser capazes de resolver, antes da inteligência artificial, primeiro somos inteligentes nós”, disse, manifestando a expectativa de que a qualificação da fileira se traduza em resultados práticos para as empresas envolvidas.
Câmara Municipal destaca aposta na liderança e no empreendedorismo
O vereador Nelson Martins, em representação da Câmara Municipal de Vale de Cambra, associou a iniciativa ao perfil empreendedor do concelho e à necessidade de acompanhar ativamente uma economia europeia e global em transformação.
Na sua intervenção, Nelson Martins situou a Inteligência Artificial como instrumento ao serviço das pessoas e das organizações, e não como substituto da sua capacidade de decisão: “A inteligência artificial é fundamental, mas a inteligência artificial não cria, a inteligência artificial e os especialistas usam a superinteligência, usam os dados, mas quem não usar não vai lá”, afirmou.
Na TECNOCON®, os primeiros passos são dados “de forma muito consciente”
Já nas instalações da empresa, a visita incluiu a apresentação institucional da TECNOCON®, uma abordagem às soluções da empresa para o setor da recolha de leite, uma componente dedicada à eficiência energética, uma demonstração do sistema de medição de leite desenvolvido pela TECNOCON® e um momento final de networking entre os participantes.
O CEO da TECNOCON®, António Moreira, situou a organização numa fase inicial de adoção da Inteligência Artificial. “Estamos a começar. Estamos a dar os primeiros passos de uma forma muito consciente. Hoje já fazemos algumas pequenas aplicações, mas tudo é muito controlado. Esperamos que já em setembro tenhamos uma evolução significativa”, revelou.
Segundo António Moreira, a tecnologia deverá simplificar tarefas, poupar tempo e elevar a qualidade dos processos e equipamentos produzidos, mas fez questão de vincar os limites dessa adoção: “Não podemos utilizar a Inteligência Artificial de qualquer maneira. É preciso investir, pagar licenças e perceber muito bem o que estamos a fazer.”
Esta iniciativa realiza-se no âmbito do projeto Qualify.teca25, promovido pela AECOA em parceria com a AEA/ACOAG e com a AECA. Tem como objetivo reforçar a competitividade da Fileira dos “Equipamentos, Serviços e Ingredientes para a Indústria Alimentar”.









