No dia 15 de dezembro, realizou-se a 3ª Conferência  Master Export sob o tema do “eBusiness: Negócio Digital e Market Places”, organizado pela AECA – Associação Empresarial de Cambra e Arouca, em colaboração com a UPT (Universidade Portucalense) e a Astrolábio, Orientação e Estratégia, em formato webinar através da plataforma teams.

Painel 1 – Negócio Digital Internacional,

A abertura dos trabalhos esteve a cargo de Carlos Brito, (Vice-Reitor da UPT) enquanto anfitrião, deu as boas vindas aos participantes e salientou a importância da cooperação entre empresas e universidade.

Carlos Brandão, presidente da AECA retribuiu os agradecimentos ao anfitrião, destacando as atividades da UPT, no domínio da internacionalização, realçando as boas relações desta universidade com as empresas. Referiu a relevância do “Master Export” para a economia da região, cujo objetivo é orientar as empresas para os mercados externos. É um projeto em coo-promoção das associações regionais, AECA e AEA direcionado para as empresas que estão a iniciar a internacionalização, enquanto instrumento de apoio, focado em cinco mercados (Espanha, França, Bélgica Luxemburgo e Polónica).

Sobre a transição digital, Carlos Brandão reforçou que na atualidade, assiste-se a uma aceleração da economia, reforçada pela pandemia, para o qual as transações digitais não conhecem fronteiras.

Carlos Brito dissertou sobre a aceleração da transição digital pós-Covid19. “Esta aceleração já começou. Vivemos num mundo “VUCA”, versátil, incerto, complexo e ambíguo. Hoje o mundo é mais “VUCA”. Temos a Pandemia que nos desorganiza. Este vírus tem um grande impacto nas alterações dos comportamentos das organizações, tanto nos consumidores como nos compradores. Gerou alteração nas cadeias de abastecimento, houve alterações nas cadeias de valor globais, com impactos profundos a nível financeiro. Quem perde? Os setores do turismo, lazer, restauração…Quem ganha? Os setores da saúde e bem estar, segurança, e-commerce, tecnologias de informação… Houve uma compressão do tempo, no qual nove meses de pandemia, pareceram nove anos; acelerando mudanças significativas nas empresas, nos serviços públicos, nas universidades, tal como o exemplo das aulas on-line. Num espaço de tempo muito curto, ocorreram muitas mudanças, apesar de a tendência para acelerar já vinha de trás. Assiste-se a uma aceleração da economia e da sociedade. O digital vai estar cada vez mais em todo o lado. Ao nível das empresas, o comércio eletrónico é cada vez mais relevante, tal como a análise de dados, big data, inteligência artificial e machine learning e tudo o que está relacionado com o teletrabalho. São de facto alterações significativas, verificadas como por exemplo no setor da habitação, no qual as casas vão começar a ser contruídas de forma diferente, com um escritório para trabalho. Há mudanças que temos que perceber para onde nos conduzem, estando a caminho da industria 4.0, importa acelerar a transição usando mais inteligência artificial e análise de dados. Há que se “refocar” na alteração dos consumidores e nos resultados, transformando esta crise numa oportunidade de mudança.

Painel 2: eBusiness: Negócio Digital e Market Places;

Jorge Mota do CESAE Digital (Centro Serviços Apoio às Empresas) apresentou o tema  – Novos Modelos de Negócio no Contexto da Economia Digital.

A globalização e o contexto pandémico que vivemos tem provocado uma profunda alteração de hábitos de consumo e, por consequência na forma de as empresas responderem às necessidades dos consumidores, nas suas diversas tipologias, consumidor final, empresas ou estado. A definição oficial de pandemia também mudou, agora não representa uma situação de mortes massiva, mas sim uma situação de contaminação massiva podendo os governos implementar medidas de emergência com um enquadramento de banda larga, com consequências impactantes na economia e nos negócios. Seria impensável a um ano atrás imaginarmos uma sociedade em que as reuniões são feitas maioritariamente via plataformas de streamming vídeo/áudio como o Zoom, Teams, Meet, Skype ou Webex, para citar apenas algumas; a apresentação de produtos, serviços e soluções fazem-se por plataformas eletrónicas, e missões de prospeção e feiras internacionais incluindo acordos de parceria e distribuição que se finalizam recorrendo a instrumentos disponibilizados pela economia digital. O vocabulário de negócios e trabalho mudou, já não dizemos tenho uma reunião em Lisboa às 15H, mas tenho um “Teams” às 15H, o teletrabalho tornou-se uma importante modalidade quer para a operação empresarial quer para agências públicas. Os canais de venda apresentam atualmente quotas de mercado com tendências crescentes para o comércio eletrónico, seja no segmento B2B seja no segmento B2C, e as opções de compra e tomada de decisão de compra estão cada vez mais vinculadas a dispositivos móveis ou em mobilidade (80% do poder computacional está em dispositivos em mobilidade, tal como telemóveis ou outros). Inovar em termos de modelo de negócio tornou-se determinante para decisões críticas em termos de sustentabilidade das empresas, e da sua dimensão, que em termos desta “nova” economia tem menos importância [Stefan Gross-Selbeck, Ted Talk). A crescente adoção de hábitos de compra com recurso a plataformas na internet ou apps em modalidade “ondemand” obriga as empresas a repensar o seu modelo de negócio, a inovar e redesenhar a sua cadeia de valor, e ganhar conhecimento, senão mesmo sabedoria na forma de comunicar os seus produtos e serviços, acompanhando as necessidades dos seus clientes (CRM de nova geração), e encurtar ciclos de entrega com novos modelos logísticos, captar novas leads em processos de marketing digital em que os conteúdos têm uma importância critica. Isto modifica a estruturação e balanceamento dos RH das empresas, onde a pirâmide do modelo de DIKW (Data;Information;Knowledge;Wisdom) assume-se como o pilar estruturante para a adaptação da empresa a nova economia e anova forma de fazer negócios. O recurso mais valioso do mundo deixou de ser o petróleo para serem os dados, e o tratamento inteligente de dados o combustível para “aquecer” o negócio. Mas não podemos esquecer que como Afuah and Tucci afirmam nos seus estudos sobre Modelos Digitais de Negócios – “A business Model is a framework for making money”. Importa assim adaptar de uma forma progressiva os sistemas de fazer negócio a modelos como o da Uber, que já não é uma startup, mas uma multinacional, que mantém processos contínuos de inovação, monitorizando constantemente as novas propostas de valor que, a nova geração preparada de empreendedores lança para o mercado, a que junta os seus enormes recursos e poder de investigação e inovação internos. Este processo, que em linguagem corrente muitas vezes designamos “Uberização”, tem ingredientes de alta competitividade e sustentabilidade como responder rápido, gerir recursos de terceiros, receber antecipadamente e proporcionar serviços monitorizado de alta qualidade. Em síntese, o comércio electrónico é “anytime, anywhere, any device”.

 O Painel 3: Casos de Sucesso na Internacionalização. Foram convidadas duas empresas associadas da AECA,  Polisport e LVEngine, com as participações de António Vinha e Jacinto Antunes respetivamente, para partilharem as suas experiências.

António Vinha, apresentou como é que a POLISPORT, em particular as equipas de vendas e de marketing, se ajustaram ao novo contexto da pandemia em que nos encontramos, para continuar a servir os seus clientes, bem como potenciar e criar ainda mais oportunidades de negócio com vista a gerar resultados sustentáveis. Este testemunho, consequência da estratégia e da atuação ágil da empresa; numa perspetiva de base industrial, mais operacional, destacando a temática do negócio digital e Marketplace, o e-business, em processos de ajustamento, e como é que a tecnologia ajudou, e está a ajudar, através da digitalização dos processos no âmbito do enquadramento do business intelligence. Em particular, na aceleração da transformação digital da cadeia de distribuição e da componente de marketing digital associada, reforçando e fortalecendo a presença online, promovendo e convergindo as suas atividades sempre para a melhor costumer experience.”

Jacinto Antunes, sobre a ‘Geração e conversão de leads e dinâmicas dos marketplaces’ focou-se na estratégia e novas ferramentas digitais na identificação e captação de novos clientes num mercado hipercompetitivo e global – um desafio a que todos os negócios devem dar resposta para conseguirem gerar pipeline de leads e de oportunidades de negócio à escala global.

No contexto do planeamento e ferramentas para a transformação digital, as PMEs devem ser capazes de gerar mais negócio novo, através de meios 100% digitais. Desde os contactos iniciais até à nutrição e gestão de potencial clientes e parceiros, todo este ciclo de relacionamento é cada vez mais um processo à distância. Esta abordagem é vital tanto para as empresas orientadas a clientes profissionais (atividades e negócios B2B – business-to-business) como para negócios de serviços e venda de produtos ao consumidor final (comércio e serviços B2C – business- to-consumer).

Jacinto Antunes começou por introduzir o tema abordando, em primeiro lugar, que a conquista de novos mercados internacionais, para exportação requer que a empresa tenha bem identificados os seus clientes ideais, qual o seu comportamento, reais necessidades e motivos de compra, gerindo de seguida a relação com leads, que têm de ser totalmente personalizadas, geridas de forma individual 1-to-1. Seguiram-se exemplos de boas-práticas e ferramentas digitais que são a infraestrutura nuclear de suporte a estes desafios: Geração de Leads, Gestão da aproximação com Leads, Automação de Interações, CRM, entre noutras. A abordagem à exploração de negócio via ecommerce, através de marketplaces  e de site próprio foi objeto de abordagem com exemplos da forma como as empresas se devem adaptar de modo a tirar o maior benefício destes canais, não só como meio de gerar mais leads, mais clientes e mais vendas, mas também como canais de maior aproximação e conhecimento direto dos clientes, que devem ser geridos continuamente para optimizar a experiência do cliente, em todas as fases da relação da empresa com potenciais clientes, clientes ativos e parceiros comerciais.

O workshop demonstrou ter sido extremamente oportuno para o tecido empresarial, onde os participantes puderam trocar opiniões e avaliar o seu nível de maturidade digital, em particular no que diz respeito às mais recentes soluções e tecnologias digitais de suporte às atividades de captação e desenvolvimento de novo negócio. Os desafios das empresas na entrada em novos mercados internacionais, em atrair novos clientes, explorando novas ferramentas digitais que permitem escalar e automatizar a personalização na exploração de novas leads e oportunidades de negócio, devem ser umas das prioridades a gerir no contexto da transformação digital.

As estratégias, soluções digitais e ferramentas abordadas neste workshop mostraram como as empresas, em particular as PMEs, já podem aproveitar novos instrumentos digitais para poderem escalar a abertura de novas leads e oportunidades de negócio, no seu processo de entrada em novos mercados e na sua internacionalização.

Adriano Fidalgo (Astrolábio SA) moderou o programa da conferência, em termos de condução dos trabalhos, tendo desafiado as empresas partilhar as suas experiências internacionais, essencialmente nos mercados visados, nos domínios das dificuldades sentidas no caminho percorrido, soluções encontradas para sua resolução, assim como os processos adotados no âmbito do planeamento do processo de internacionalização e nos modelos de penetração de mercados adotados; assim como relevou nesta matéria a importância da transferência de conhecimento, na relação universidades-empresas, com enfoque na gestão de interfaces num ecossistema de inovação aberta, caminhando para a geração de smart organizations.

O Presidente da Aeca, Carlos Brandão, deu como encerrada a sessão de trabalho, agradecendo a todos os oradores presentes física e virtualmente; resumindo as principais conclusões, dando nota do nível de satisfação das entidades promotoras AECA e AEA, pela qualidade e pertinência das intervenções, assim como a atualidade dos conteúdos apresentados. Um especial agradecimento aos Presidentes dos Municípios de Arouca e Vale de Cambra, Margarida Belém e José Pinheiro, respetivamente pelo reconhecimento da importância do projeto Master Export na promoção das empresas da região.

O Projeto Master Export com o código 37628 é desenvolvido em copromoção pelas Associações empresariais AEA (Associação Empresarial de Águeda) e a AECA  (Associação Empresarial de Cambra e Arouca), no âmbito do Portugal 2020, especificamente, do Sistema de Apoio de Ações Coletivas (SIAC) – Qualificação, inserido no objetivo temático nº3 – “Reforçar a Competitividade das PME”, do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, sendo apoiado pelo FEDER.